Contatos Imediatos


Fico me perguntando como será minha feitura, como vou agir, me comportar. Será que vou dar conta de tudo que ouço? Resposta difícil! Hoje eu tenho uma casa de santo, mas antes de encontrar essa mina de ouro, não tinha ideia e nem intenção de ser Abian (simpatizante ou frequentador da religião, sem estar ainda iniciado) .
Minha primeira lembrança religiosa foi de ver uma mulher com uma saia grande e vermelha girando e dando gargalhadas enquanto eu tinha que ficar sentado. Eu queria correr e brincar com as outras crianças - o que acabei fazendo até a hora de irmos embora. Sempre achava tudo chato, coisa de adultos, aguardar sentado o início até que aquela tia de vermelho começasse a rir alto e beber, depois não queria mais ir embora, tudo era diversão e brincadeira com os outros garotos.
Frequentava “macumbas” com minha mãe desde pequeno e nunca me interessei por absolutamente nada, não conscientemente. Acredito que gostava de estar nesses lugares com minha mãe, que de certa forma achava aquilo tudo muito comum. Pensando hoje, em todas essas situações religiosas, eu nunca me perguntei o que era aquilo ou porque acontecia, eu sabia que a pessoa que estava ali não era a mesma, por intuição, pois ninguém nunca me explicou, mas de alguma forma eu compreendia.
Já na adolescência – acho que a maioria acaba passando por essa fase de descobertas – comecei a me interessar por ocultismo, ler e conhecer pessoas com interesses iguais aos meus. Passei a trocar e absorver tudo e toda informação que chegava, lia livros e mais livros sobre temas relacionados e encontrava sempre por acaso alguém que sabia algo que eu ainda não tinha lido, nascendo em mim uma necessidade de saber sempre mais. Cada vez que lia algo novo sobre Wicca, Santeria (mais disseminada em Cuba) ou Obeah (pratica ritualística Jamaicana), mais queria compreender. 
Com o passar do tempo e dos novos amigos chegando na minha vida, voltei a frequentar as casas de santo nos dias de festas e cada vez eu percebia mais intimidade com aquele universo religioso. Não sei os outros, mas uma das coisas que mais me atraem no candomblé são os preparativos das festividades, o momento em que as pessoas estão juntas por uma causa única - quando vemos que todo aquele trabalho e horas sem dormir, arrumando, lavando e enfeitando, valeram a pena, resultou num lindo culto ao Orixá.

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